A quarta-feira foi considerada o dia do transporte, em Glasgow

10/11/2021

Após a publicação do esboço do acordo da COP26, que apresentou encaminhamentos significativos para o combate ao aquecimento global, objetivando a redução de emissões até 2030 em 45% dos índices de 2010, periodicidade anual das NDCs, maior aporte financeiro por parte dos países desenvolvidos e aceleração da eliminação de emissões por fontes de carvão e combustíveis fósseis, os principais debates do dia centraram-se no tema da transição de veículos com emissão zero e da criação de corredores de navegação verde. Dentre as tratativas, 30 países concordaram em trabalhar juntos para tornar os veículos com emissão zero o novo paradigma do setor de transportes até 2030 ou antes, incluindo mercados emergentes. Houve, também, o lançamento de um novo fundo fiduciário do Banco Mundial que prevê o investimento de US$ 200 milhões nos próximos 10 anos, destinado à descarbonização do transporte rodoviário em países em desenvolvimento.

No núcleo científico dos fóruns setoriais, ocorreu um importante debate organizado pelo Brazil Climate Action Hub inerente aos desafios da qualidade do ar na América Latina e sua relação com o cotidiano urbano, tema que englobou desde aspectos sociais até o contexto em que se materializam as consequências de queimadas florestais e emissões oriundas de veículos. O pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) David Tsai, que mediou as apresentações e foi painelista, abordou algumas questões de monitoramento e gestão da qualidade do ar, indicando ser essa observância uma ferramenta fundamental no que se refere à identificação das consequências das emissões locais e da própria qualidade do transporte, do ponto de vista de sustentabilidade. Para Tsai, o Brasil necessita de uma política nacional de qualidade do ar, uma vez que vivencia um significativo desequilíbrio qualitativo. Nesse sentido, justifica que as normas infralegais de Estados geram uma situação de estrutura frágil que inviabiliza a própria eficiência de ações mais robustas no âmbito das causas.

Por fim, hoje também ocorreu o discurso do Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que cobrou maiores investimentos e menos punições por parte dos países mais ricos e reiterou as metas brasileiras já anunciadas (redução de emissões em 50% até 2030 e a neutralidade climática até 2050). O discurso repercutiu negativamente junto aos especialistas no estudo sobre clima e energia, em entrevista para o portal G1, Marcelo Furtado (fundador do Coalizão Brasil Cima e membro do programa Yale World Fellow) comentou: “Ele falou que o país adotou metas mais ambiciosas – mas sabemos que, na verdade, o país simplesmente voltou ao seu compromisso anterior. Ressaltou a questão de energias renováveis, mas não disse que o governo está fomentando a participação de energias fósseis em sua matriz energética”.

Escrito por Evilásio Júnior
A Equipe do RCGI Lex reuniu um grupo de voluntários para acompanhar diariamente a participação dos cientistas na COP 26. Nosso objetivo é entender como tem sido a atuação destes cientistas nas discussões, na elaboração dos acordos e nas tomadas de decisão.

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