Pesquisadora apresenta ferramenta antiplágio no IV Workshop RCGILex

Doutoranda em Ciência da Energia no Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE/USP) e pesquisadora do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), a professora Márcia Konrad foi a palestrante do IV Workshop RCGILex, que aconteceu no último dia 19 de setembro da sede do RCGI. O tema da apresentação foi plágio no meio acadêmico e as maneiras de identificá-lo. Márcia apresentou aos participantes a ferramenta Turnitin, uma das muitas disponíveis no mercado para identificação de plágio em trabalhos científicos. Há um ano e meio a USP tem uma licença de uso de um dos “pacotes” de serviços oferecidos pelo sistema, mas somente professores da pós-graduação, previamente cadastrados, podem utilizá-la.

“Há vários programas antiplágio no mercado, mas são muito caros. E acontece que o professor não usa a ferramenta todos os dias. Quando conhece o aluno e está acostumado com a leitura científica, tem noção de como o aluno escreve. Quem trabalha com isso diariamente acaba intuitivamente identificando o plágio”, afirmou ela.

O Turnitin possui uma base de dados comparativa com mais de 143 milhões de artigos acadêmicos, 55 bilhões de sites armazenados e 300 milhões de trabalhos de alunos. Mas, segundo Márcia, não substitui o olhar do professor, apenas facilita e dá mais acurácia para o trabalho de identificação de plágio. “Qualquer texto inclui intencionalidade, e isso a inteligência artificial não vai identificar. É o professor que consegue fazê-lo, porque intencionalidade é algo próprio do ser humano.”

O crime de plágio está tipificado no artigo 184 do Código Penal e as penalidades incluem prisão (de três meses a quatro anos, dependendo do tipo de violação) e multa. “O parágrafo primeiro do artigo 184 do Código Penal fala em reprodução total ou parcial com intuito de lucro direto ou indireto, mas devemos lembrar que lucro, neste caso, não se refere a algo apenas financeiro. Pode ser a obtenção de uma vantagem como, por exemplo, conseguir terminar uma dissertação.”

De acordo com Márcia, quem escreve normalmente incorre em plágio não por ma fé, mas por desconhecimento da normatização, por falta de conhecimento metodológico das regras de citação. “É preciso tomar muito cuidado com a intencionalidade ao analisar um plágio ou a suspeita de um. O plágio intencional tem trechos muito grandes de apropriação textual ou de apropriação de ideias, ou ainda de bibliografia. Não há só o plágio de texto: o plagiador pode ser apropriar do escopo de um trabalho, da bibliografia de um trabalho”, revelou a palestrante.

Como usar – Durante o workshop, Márcia tirou dúvidas dos presentes, ajudou alguns deles a subir conteúdo para a plataforma Turnitin e apresentou um breve tutorial da ferramenta. Na USP, as bibliotecas dos institutos são as responsáveis pela conexão direta com o Turnitin, por meio de alguns professores escolhidos. Estes professores selecionam os professores disseminadores de seus institutos – aqueles que poderão ter acesso à ferramenta. Os disseminadores podem colocar seus alunos no sistema como dependentes e atribuir acesso a eles. O acesso dos estudantes é limitado, se comparado ao tipo de acesso que o professor tem. Além disso, tudo o que eles fizerem no sistema pode ser controlado pelo professor.

“Uma vez cadastrado e com o login feito, o professor consegue criar diretórios com diversos nomes – podem ser os nomes dos alunos, ou do tipo de publicação que será inserida na plataforma, isso depende do processo de trabalho de cada um. Criado o diretório, ele vai começar a fazer o upload de um trabalho cuja autenticidade queira verificar. A orientação do sistema de bibliotecas da USP é que o professor trabalhe com a data de entrega sempre estipulada em 31 de dezembro de 2020, para que ele tenha amplidão temporal de aceso ao processo. Porque se o professor coloca uma data de entrega anterior, o programa vai encerrar o acesso àquele processo na data estipulada.”

Assim que o documento é inserido na plataforma, começa o trabalho de detecção de plágio. “Os detectores de plágio são programados para reconhecer uma série sequencial de palavras. Nos programas pagos consegue-se determinar quantas palavras farão parte dessa série. Nos gratuitos, normalmente, são apenas três palavras”, explicou a palestrante.

Os textos podem ser inseridos em arquivos no formato Word ou PDF aberto. “O programa não mexe em formatação, desconsidera os espaçamentos irregulares e não há um limite máximo de tamanho de texto para subir. Ao ser inserido na plataforma, o texto original não é modificado: será gerado um relatório de similaridade, que vai indicar onde está o plágio.” O relatório mostra, por exemplo, as porcentagens de similaridade entre o texto analisado e o conteúdo de sites relacionados ao tema.

Márcia ressaltou que, quando o sistema gera um relatório, ele só é visível para o professor, que pode ou não enviá-lo ao seu aluno.  “É possível calibrar a ferramenta para que o relatório seja enviado ao aluno assim que o professor termine de salvá-lo. Mas isso pode não ser muito recomendável. Depende da relação que se tem com o aluno”, alertou. De acordo com ela, o tempo que a plataforma leva para analisar um texto depende muito da conexão, do tamanho da banda e do tamanho do arquivo.

Imagem: Alexandre Simão/RCGILex

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