Transição energética justa e equidade de gênero são temas de discussão na COP26

Dia 09/11/2021

A relação de gênero com as mudanças climáticas foi tema do painel “Caminhos para uma transição de gênero justa” no qual as pesquisadoras convidadas discutiram evidências de que as mulheres são mais afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas.

Dinda Yura, representante da Indonésia, comentou que o sistema que criou e sofre as consequências das mudanças climáticas é o mesmo sistema que sustenta as desigualdades sociais e de gênero. Na mesma linha, Dunja Krause, pesquisadora alemã do Instituto de pesquisa pelo desenvolvimento social da ONU, mostrou paralelos entre a questão de gênero e a pandemia do COVID-19. As mulheres acumularam ainda mais as funções de cuidados com a casa e família e vivenciaram um aumento da violência doméstica em muitos países. Segundo a pesquisadora, o setor de saúde não está preparado para lidar com desastres em proporções globais, eventos extremos e novas doenças. Dentro dos hospitais, houve uma maior exploração e exposição dos trabalhadores da saúde, sendo grande parte composta por mulheres, a condições de trabalho inadequadas e o atendimento excluiu a população de baixa renda que não pode arcar com um serviço de saúde privado.

Desse modo, não basta pensar nos trabalhadores das plantas de carvão que tem seus empregos em risco ou no desemprego devido ao aumento da automatização dos sistemas, é preciso pensar em inclusão social e equidade de gênero em todos as etapas das novas cadeias produtivas e, ainda mais, em política públicas que atuem na superação das injustiças sociais e no evidente agravamento dessas em um contexto de crise econômica, social, ambiental e climática.

No pavilhão brasileiro, apesar da discussão não estar focada em gênero, a presidente executiva da ABEEólica, Elbia Gannoum, falou sobre as Fronteiras Energéticas do Brasil, destacando a energia eólica offshore e o hidrogênio. A pesquisadora apresentou o crescimento exponencial da energia eólica no país, representando cerca de 11% da capacidade instalada em 2021. No segundo semestre a fonte respondeu por 20% de toda a geração de energia no território brasileiro e a estimativa é de geração de 30 mil postos de trabalho por ano com a expansão prevista para o setor até 2024. Essa expansão diversifica a matriz energética brasileira e leva desenvolvimento regional visto que explora um recurso distribuído no território brasileiro. A energia eólica offshore e a possibilidade da aplicação dessa tecnologia para produção de hidrogênio verde é uma fronteira importante a ser explorada no país. Sendo assim, a Associação está trabalhando para avançar na questão regulatória e na viabilização da comercialização dessa energia. Além disso, a presidente mencionou parcerias com universidades brasileiras para desenvolvimento das tecnologias envolvidas.

Mais informações sobre Dinda Yura: https://www.linkedin.com/in/dinda-n-a-yura-314837177/?originalSubdomain=id
Mais informações sobre Dunja Krause: https://www.unrisd.org/unrisd/website/people.nsf/(httpPeople)/5972D01A5FD8B900C1257D7200535938
Mais informações sobre Elbia Gannoum: https://www.linkedin.com/in/elbiagannoum/?originalSubdomain=br

Escrito por Paola Petry e Mariana Ciotta
A Equipe do RCGI Lex reuniu um grupo de voluntários para acompanhar diariamente a participação dos cientistas na COP 26. Nosso objetivo é entender como tem sido a atuação destes cientistas nas discussões, na elaboração dos acordos e nas tomadas de decisão.

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